Reggio Emilia e San Miniato
Institucional
A Proposta Italiana
Loris Malaguzzi  

* Loris Malaguzzi (Correggio 1920 - Reggio Emilia 1994)

Loris Malaguzzi foi o fundador da filosofia educativa de Reggio Emilia e, juntamente com a prefeitura e muitos administradores locais, participou do nascimento e construção da rede de pré-escolas e creches municipais de Reggio Emilia.

Malaguzzi graduou-se em pedagogia e começou sua carreira como professor de escola primária em 1946. Em 1950 ele se qualificou como psicólogo educacional e fundou o Centro Psico-Pedagógico Municipal de Reggio Emilia, onde trabalhou por mais de vinte anos.

Em 1963, começou a trabalhar com a administração municipal inaugurando as primeiras pré-escolas municipais. Em 1967, esta rede de escolas assume também as "Asili del Popolo", Escolas do Povo fundadas no final da guerra, e em 1971 também foram acrescentadas as creches. Malaguzzi dirigiu esta rede de escolas por vários anos com outros colegas próximos e definiu seu projeto cultural.

Foi conselheiro do Ministério da Educação, diretor das revistas Zerosei e Bambini e, em 1980, fundou em Reggio Emilia o Gruppo Nazionale Nidi Infanzia.

Idealizador das mostras L’occhio salta il muro e As cem linguagens das crianças, Loris Malaguzzi foi o incansável promotor de uma inovadora filosofia da educação que, com sua teoria das cem línguas, valoriza as potencialidades, os recursos e as muitas inteligências das crianças.


   

 

  Aldo Fortunati pedagogo e pesquisador da infância, é presidente do Centro de Pesquisa e Documentação sobre a Infância  La Bottega di Geppetto em San Miniato, Toscana, Itália. Com inúmeras publicações sobre educação infantil e projetos de políticas públicas, é autor dos livros Educação Infantil como Projeto da Comunidade, da Editora Penso/Artmed, A Abordagem de San Miniato para a Educação das Crianças, Edizione ETS e Por um Currículo aberto ao Possível, com versões em italiano, inglês, espanhol e português. Os últimos, lançados respectivamente em 2014 e 2016, foram traduzidos  para o português por Paula Baggio, diretora da Despertar.

Fortunati também é professor da universidade de Florença, além de atuar como diretor da área educativa do Istituto degli Innocenti de Florença. Master em educação e políticas para a infância, realizou atividades de formação, dirigiu programas de pesquisa e desenvolveu projetos de experiências no setor dos serviços para a infância em inúmeras localidades da Toscana, da Itália e do mundo na função de conselheiro sênior do Gruppo Nazionale Nidi Infanzia. 

Interessado na gestão dos serviços educacionais e na avaliação da qualidade dos mesmos, coordenou - por solicitação do governo italiano - projetos de investigação que acompanham o desenvolvimento de políticas nacionais para o setor. Nos últimos anos ele tem coordenado projetos de cooperação internacional na América Latina através da Eurosocial.

Desenvolveu o projeto de uma linha de mobiliário infantil, produzido pela empresa SPAZIO ARREDO e, junto com Giovanni Fumagalli, o sistema AMBA para a concepção de projetos de creches e pré-escolas.

Fortunati participou dos estudos do projeto da nova sede da Despertar e desde 2008 tem tido contatos muito próximos com a Escola, inclusive tendo visitado e realizado palestras para os colaboradores tanto em nossa sede antiga quanto na atual. Em 2015, participou do lançamento de seu livro A abordagem de San Miniato para a Educação das Crianças (traduzido e apoiado pela Escola Despertar) em um coquetel para colaboradores e convidados realizado nas dependências da Despertar.
Em 2016 realizou nova visita em nossa escola por ocasião do lançamento de seu novo livro "Por um Currículo Aberto ao Possível", também traduzido e apoiado pela Escola Despertar.
Nos anos de 2017 e 2018 liderou grupos de estudo com os educadores da Despertar sobre o protagonismo das crianças e a participação das famílias no cotidiano da escola, além de novos seminários em diferentes cidades brasileiras. 

Em agosto de 2019 ele retornará à Porto Alegre, acompanhado da educadora, psicóloga e pesquisadora Chiara Parrini, para o lançamento de seu mais recente livro, As crianças e a revolução da diversidade. Essa publicação, além de ter sido traduzida por Paula Baggio - fundadora e diretora da Despertar - contém um capítulo de sua autoria, que aborda os reflexos da pedagogia italiana no cotidiano da Despertr.
 

La Bottega di Geppetto

 O nível das experiências atingido pelos serviços educacionais para a infância de San Miniato, seu projeto pedagógico consolidado, a sua forte presença na comunidade local e a valorização reconhecida já registrada por inúmeros observadores nacionais e internacionais envolvidos no desenvolvimento de políticas a favor das crianças e das famílias levaram ao nascimento do Centro de Pesquisa e Documentação sobre a Infância La Bottega di Geppetto, desde 1999, instituição do município de San Miniato.

La Bottega di Geppetto:

• promove a investigação e documentação relativa a Serviços Educativos para a infância da cidade de San Miniato e constitui um ponto de referência para a Zona Educacional do Baixo Valdarno;

• desenvolve a rede de relacionamentos com outras entidades locais, que se dedicam ao desenvolvimento de experiências de qualidade no projeto e gestão de serviços educacionais para a infância;

• participa e apoia a evolução das políticas públicas para a infância e a atualização das estratégias educacionais desenvolvidas dentro dos serviços educativos para crianças e famílias.

O Centro é credenciado pela agência da região da Toscana para o ensino superior e para a educação continuada (Decreto n. 2426 de 28.04.03, publicada no BURT n. 26 de 18/06/03) organização qualificada pela certificação ISO9001 /UNI EN ISO 9001:2000 para a concepção e prestação de serviços de treinamento, consultoria e atividades de documentação no âmbito de intervenções educativas para as crianças.

Tem como objetivo  cultivar uma rede de trocas e confrontos entre as pessoas e realidades, dentro da qual continuar a discutir, refletir e projetar, juntos, experiências de qualidade para as crianças e as famílias.



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Perguntas frequentes sobre a abordagem italiana:

1- O que faz a pedagogia italiana ser referência mundial na educação da primeira infância?

 

A abordagem utilizada na Itália para a educação das crianças pequenas (0-6 anos) vem sendo muito estudada por educadores e pesquisadores de todo o mundo, e esses estudos se concentram principalmente nas práticas de algumas regiões do norte da Itália, como Reggio Emilia, San Miniato, Bologna, e outros.

Acredito que o que chama a atenção dos educadores e pesquisadores é o modo como as experiências são ofertadas às crianças, a valorização do contexto, das histórias individuais e do protagonismo delas. Uma abordagem baseada em experiências significativas, onde o resultado não está pré definido por currículos rígidos ou pelos planejamentos dos educadores. Na verdade, uma experiência ou projeto quando iniciado, poderá tomar diferentes rumos de acordo com o interesse das crianças envolvidas no trabalho. É um tipo de sala de aula onde as crianças se envolvem em atividades de acordo com os seus interesses, geralmente em pequenos grupos e nem sempre conduzidos por adultos. Aquela imagem de todas as crianças da turma realizando a mesma atividade ao mesmo tempo é algo que geralmente não acontece nesse tipo de proposta.

 

2- Qual o diferencial da escola?

 

Nossa proposta pedagógica se baseia na imagem de uma criança competente, que é curiosa e que quer descobrir, experimentar e conhecer o mundo. A partir desse conceito, organiza-se os materiais e os ambientes de modo que as crianças sejam os protagonistas em seus processos de aprendizagem. Os planejamentos são realizados de acordo com as observações que os educadores realizam na turma, podem ser alterados ou ampliados conforme as respostas e o interesse que as crianças demonstrarem pelo tema ou pelo material. Muitas vezes a turma dá um rumo totalmente inesperado à experiência proposta pelo educador.

 

3- Porque a documentação pedagógica é tão importante?

 

A documentação pedagógica serve como instrumento de reflexão, discussão e de pesquisa para os educadores que, ao elaborarem uma documentação, visitam novamente os registros efetuados - imagens, anotações, vídeos, relatórios - refletem sobre as experiências propostas ou sobre o assunto que estão documentando, aprofundando seus conhecimentos sobre o aluno, sobre um grupo ou um tema específico. Além disso, ao realizar as documentações, os educadores debatem entre si, o que enriquece em muito a sua prática e qualifica o trabalho da escola.

A documentação pedagógica também é importante para dar visibilidade ao trabalho da escola perante a comunidade escolar ou para a comunidade em geral, para dar maior valor ao profissionalismo dos professores e para ser utilizada como fonte de pesquisa ou de informação futura

 

4- Qual o papel do atelierista?

 

O papel do atelierista na proposta reggiana é o de complementar o trabalho dos professores da turma através de seu olhar de artista. Ele traz técnicas e ideias para qualificar a experiência das crianças e dos educadores.  Em nossa escola, já tivemos a experiência de ter um atelierista permanente, mas após diversas reflexões, optamos por qualificar o olhar e o repertório do grupo de educadores, investindo em percursos de formação na área.  

 

5- Como se faz a pedagogia da escuta?

 

A pedagogia da escuta é realizada no dia a dia, quando os educadores estão atentos às crianças, ao que estão mais curiosas, ao que o grupo quer pesquisar mais ou ao que eles demonstram que estão precisando trabalhar em grupo, por exemplo alguns comportamentos ou questões do desenvolvimento infantil. Uma escuta atenta pressupõe um educador disponível e sensível, que não chega com projetos prontos ou com perguntas para as quais já conhece as respostas.

 

6- Qual a importância da família na escola?

 

Nesse tipo de proposta, a família tem um papel central ao lado dos educadores e do ambiente. A família deve conhecer a fundo a proposta para poder se engajar e sustentar as experiências realizadas no ambiente escolar. Ela complementa o trabalho dos educadores se envolvendo ativamente nos projetos, apoiando as crianças em suas conquistas,  auxiliando a criança a buscar mais informações ou materiais e participando dos momentos que a escola oferece para o convívio com o grupo ou para festejar alguma conquista ou data especial.

 

7- Como é a rotina das crianças desde o momento em que elas chegam na escola

 

Cada turma pode ter uma rotina e rituais diferentes. Dizemos que com o passar do tempo, a turma vai formando sua identidade de grupo, e essa identidade acaba influenciando um pouco sua rotina. Basicamente, as crianças chegam na escola, são recebidas pelos colegas e educadores e logo se envolvem com algum material ou brincadeira que está acontecendo no ambiente onde a turma se encontra (sala, pátio, varanda, jardim, refeitório, etc). Durante o turno, são dois momentos em que se deslocam para o refeitório (lanche e almoço/janta) e pelo menos um outro momento em que vão para a área externa. Fora isso, eles ficam sempre envolvidos com alguma experiência, geralmente em pequenos grupos. Essa experiência pode uma brincadeira de faz de conta, com suas regras e papéis definidos por eles, pode ser um trabalho gráfico, plástico, modelagem ou construção, pode ser a leitura ou interpretação de uma história ou tantas outras coisas capazes de encantar e de entusiasmar a criança. Na hora da saída, os pais chegam à escola, vão até a sala, conversam com os educadores e levam seu filho para o pátio. Geralmente eles ainda ficam um pouco na companhia dos outros pais e das outras crianças antes de saírem. As crianças apreciam muito ter os pais dentro de seu ambiente, ver o entusiasmo deles com as conquistas e ver que eles também conhecem seus amigos e os pais deles. Elas ficam muito orgulhosas.

 

8- Como foi implementar uma escola com essa abordagem aqui em Porto Alegre?

 

Nossa escola já nasceu com essa abordagem. Certamente nos primeiros anos buscavamos segurança em algumas práticas mais tradicionais, como a fila, a rodinha, o planejamento mais detalhado e mais "trabalhinhos" no papel. Aos poucos, tendo mais experiência e segurança, fomos descentralizando algumas dessas práticas, mas isso não significa que elas não sejam realizadas em nossa escola. Nosso maior investimento nesse sentido é na formação dos pais e educadores, para que eles conheçam e compreendam as razões pelas quais optamos por certas experiencias em detrimento de outras que já são amplamente validadas pela escola mais tradicional.

 

9- Como são organizados os espaços?

 

Os espaços são organizados de forma a despertar curiosidade, encantamento e ainda proporcionar uma experiência rica em detalhes. Por exemplo: se na sala de aula montamos uma cozinha, colocamos diversos materiais para que a criança possa realmente viver a experiência. Em nossas cozinhas eles encontrarão pia, forno, panelas, pratos e talheres, panos de prato, toalhas para arrumar a mesa, embalagens de comidas e muito mais. Se for um escritório, a mesa coisa, telefones, computador, teclado, folhas, canetas, calculadora etc… A ideia é que cada espaço possa ser transformado naquilo em que as crianças necessitam para a sua brincadeira, duas cadeiras, por exemplo, podem se transformar em uma caminha para o bebê, e a mesma bolsa pode ser às vezes a bolsa da mamãe passear com seu filhinho, ou a pasta da executiva que tem uma reunião.

Esperamos, através dessas breves respostas, aproximar o educador dessa proposta que, além de ser linda, é muito complexa.
Att. Paula Baggio - diretora

 

 

 






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